Katherine Johnson

Em 16 de agosto de 1918, na pequena cidade de White Sulpul Springs, na parte oeste da Virginia, Estados Unidos, nasceu Katherine Coleman Goble Johnson, a filha caçula, de 5 irmãos, do fazendeiro Joshua Coleman e da ex-professora Joylette Coleman.

Desde muito pequena a paixão e a aptidão de Katherine para a matemática faziam-se presentes em seu cotidiano, segundo o site The Heroine Collective (2015), ela afirmou: “Eu contava tudo. Contava os passos na rua, os passos até a igreja, o número de pratos e talheres que eu tinha lavado… qualquer coisa que pudesse ser contada”. Devido a isso, ainda em seus primeiro anos de vida, começou a seguir um de seus irmãos para a escola com uma certa frequência, até que certo dia deparou-se com o professor que se impressionou com sua inteligência e também sua habilidade de leitura e escrita e convidou-a a participar das aulas naquele verão.

Em 1924, com quase 6 anos, a garota foi oficialmente matriculada diretamente no 2°ano, devido a suas habilidades supracitadas. Não surpreendentemente, aos 10 anos, após cursar o 8° ano, Katherine já se encontrava apta a cursar o Ensino Médio. Não obstante, ao alcançar essa marca ela deparou-se com a terrível barreira da segregação racial norte-americana, a qual pressupunha uma superioridade da pele branca em detrimento da negra, situação que fazia com que se criassem escolas, banheiros, bebedouros, lugares no ônibus, bairros, etc. separados meramente pela sua tonalidade. A única escola disponível para o ingresso de negros situada em sua cidade natal não dispunha de seu nível de estudo.

Logo, para que ela e seus irmãos continuassem os estudos, a família mudou-se para a cidade de Kanawha, localizada a 125 milhas (cerca de 202 Km) de White Sulpul Springs, ainda da Virginia do Oeste. Lá ela foi matriculada, aos 13 anos, no West Virginia State College, uma escola secundária historicamente composta por negros, na qual aos 14 anos formou-se.

Devido a sua precoce formatura, recebeu uma bolsa de estudos integral, desde a mensalidade até a alimentação, para a West Virginia State College, na qual se tornou uma das primeiras afro-americanas a matricular-se para o curso de matemática. Durante sua jornada acadêmica muitos foram os professores que a auxiliariam a trilhar seu caminho, principalmente o terceiro afro-americano a obter um PhD em Matemática, Doutor WW Schieffilin Claytor. Ele encantou-se de tal forma por seus talentos que desenvolveu um curso de Geometria Analítica que atendesse as aspirações de sua brilhante aluna, que posteriormente viria a ser um dos mais importantes estudos o trabalho dela na NASA. O resultado de todos os esforços foi sua graduação em 1937, aos 18 anos, na qual ela recebeu os diplomas de Matemática e Francês.

Após sua formatura, Katherine dispôs a dar aulas nas escolas rurais da Virginia e da Virginia do Oeste, as quais, em suma, eram a única opção para as meninas e mulheres de sua comunidade. Nesse emprego ela dava aulas de matemática, francês e música. Toda via, além desse preconceito de gênero, em uma de suas viagens a trabalho para uma escola em Marion, Virginia, deparou-se com uma cena de preconceito com a qual ela foi incapaz de ser conivente:

[…] ela ficou surpresa quando, ao cruzar a Virgínia vindo de Virgínia Ocidental, o ônibus parou e todos os negros foram orientados a ir para os fundos. Quando o motorista disse que todas as pessoas de cor deveriam ser colocadas em táxis, Katherine se recusou até que ele perguntou educadamente. Uma posição que indica a recusa vitalícia de ser considerada menos que igual.

Em 1939 com a decisão da integração das escolas de pós-graduação das Virginias Ocidentais, o presidente do estado da Virginia, Dr. John W. Davis, ofereceu a Katherine e a mais dois alunos negros a ingressar no programa de pós-graduação em matemática, o que a tornaria uma das primeiras negras a alcançaram a pós- graduação em matemática nos EUA, no qual ela ingressou mas permaneceu apenas 1 período. Ela deixou de lado seus estudos para se casar com James Francis Noble, com quem ela teve três filhas: Constance, Joylette e Katherine. Além disso, pouco depois seu então marido ficou doente e ela se viu obrigada a sustentar a família.

Foi apenas em 1952 que ela ficou sabendo que o Centro de Pesquisa Langley, em parceria com o Comitê Consultivo Nacional para a Aeronáutica – NACA (Versão anterior do que viria a ser a NASA), estava recrutando mulheres negras que tivessem boas habilidades matemáticas para serem “Computadores humanos” ou, pejorativamente, “computadores que usavam saia”; esse departamento era comandado por Dorothy Vaugan. Devido a ótima oportunidade ela e sua família mudaram para Langley no verão e Katherine começou a trabalhar em 1953.

Após duas semanas de trabalho, Katherine foi designada para Maneuver Loads Branch of the Flight Research Division, na qual ela iria temporariamente atuar como assistente de dados em uma divisão em que todos eram homens e caucasianos. Foi graça aos seus amplos conhecimentos de Geometria Analítica, que ela conquistou definitivamente seu posto ao auxiliar na analise dos testes de voo e na investigação da queda de um avião por turbulência de rastro. Em 1956, perto do encerramento dos seus trabalhos, seu marido veio a óbito devido a um tumor inoperável no cérebro.

Em um contexto acirrado de Guerra Fria, entre os Estados Unidos da América – EUA e a União das Repúblicas Sociais Soviéticas – URSS, em meio ao lançamento do satélite soviético Sputinik, em 1957, e o pronunciamento do então presidente J. F. Kennedy, em Maio de 1961, que “antes de esta década acabar, aterrissar um homem na Lua e retorná-lo em segurança para a Terra”. Tal contexto deu a oportunidade para que Katherine usasse ao máximo seus talentos matemáticos para calculara precisamente as trajetórias para lançamentos espaciais. Em 1958, a Comitê Consultivo Nacional para a Aeronáutica NACA tornou-se Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço – NASA , a qual incorporou a Divisão de Pesquisa de Aeronaves Sem Piloto (PARD), na qual Katherine estava inserida.

Em 1959, em meio a tanta agitação em sua carreira, ela casou-se com o Tenente Coronel James A. Johnson.

Em 1960, ela participou da analise de trajetória da missão Mercury, que, em 1961, colocou Alan Shepard na posição do primeiro homem norte-americano a ir para o espaço. Além disso, realizou cálculos complexos para impulsionar capsulas espaciais para orbitarem a lua e traçou cartas de navegação, para que se houvesse falhas eletrônicas, fosse guiada pelas estrelas. Já em 1962, ela ficou responsável por verificar manualmente os primeiros cálculos realizados pelo computador, o International Busines Machines – IBM, para o lançamento da missão orbital de John Glenn, a Friendship 7.

Em 1969, ela calculou a trajetória de voo da missão Apolo 11, responsável por levar o homem a Lua e retorná-lo em segurança a Terra, cujo lançamento ocorreu em 16 de junho de 1969 e a aterrisagem em solo lunar ocorreu em 20 de julho de 1969. Além disso, Katherine participou do programa Space Shuttle e de planos para uma missão para o planeta vermelho, Marte. Logo, em seu tempo de trabalho ela foi coautora de 26 artigos científicos e só em 1986 aposentou-se de seu tão estimado trabalho.

Eu encontrei o que eu estava procurando em Langley. Foi isso que um matemático de pesquisa fez. Eu fui trabalhar todos os dias por 33 anos, feliz. Nunca me levantei e disse: “Não quero ir trabalhar”.

Apesar de não mais atuar na NASA, até 2008 ela continuava a lecionar, o que levou, em 2015, aos 97 anos, o então presidente norte-americano, Barack Obama, a incluir Katherine Johnson na lista dos 17 americanos que receberia a Medalha Presidencial da Liberdade, a maior honraria civil dos EUA, por ser uma das mulheres negras pioneiras nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

Em 2016, no 55° aniversário do voo de Alan Shepard, o Centro Lengley de Pesquisa, em Hampton, Virginia, inaugurou a instalação Katherine G. Johnson de Pesquisa em Computação.

Ainda hoje, Janeiro de 2019, ela se encontra viva e bem, incentivando as meninas a segurem suas carreiras na ciência e aproveitando sua família.

 

BIBLIOGRAFIA

 

GOMES, Vera. Ida à Lua – o discurso de Kennedy. Disponível em: <https://astropolitica.blogs.sapo.pt/ida-a-lua-o-discurso-de-kennedy-195897>. Acesso em: 10 jan. 2019

HUGES, June. Biography: Katherine Johnson, space scientist. Disponível em: <http://www.theheroinecollective.com/katherine-johnson-space-scientist/>. Acesso em: 10 jan. 2019

SELLES, Carolina. Mulheres inspiradoras: Katherine Coleman Goble Johnson. https://santapaciencia.etc.br/2018/08/01/mulheres-inspiradoras-katherine-coleman-goble-johnson-ago-2018/>. Acesso em: 10 jan. 2018

SHETTERLY, Margot Lee. Katherine Johnson Biography. Disponível em: <https://www.nasa.gov/content/katherine-johnson-biography>. Acesso em: 10 jan. 2018

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